Gestão

Comércio inclusivo: um guia para acolher pessoas autistas

Atendimento prioritário para autistas e outras formas de adaptar um comércio para receber pessoas no espectro.

9 min

O autismo é como um universo cheio de diversidade e emoções únicas. Cada pessoa autista traz consigo sua própria maneira de ver o mundo e sentir as coisas. É importante valorizar e respeitar. Embora possam enfrentar desafios, também vivem momentos de aprendizado e celebração das pequenas vitórias.

Uma dessas pequenas vitórias é a formação da Lei nº 14.626, essa lei exige que os estabelecimentos e serviços públicos priorizem o atendimento a pessoas autistas, a pessoas com mobilidade reduzida, a grávidas, aos idosos e aos doadores de sangue. 

Pensando nisso, preparei esse texto com dicas para você acolher pessoas autistas na sua loja. Confira! 

O que é autismo?

O autismo é um transtorno neurodesenvolvimento, em outras palavras, o autismo é um distúrbio que se desenvolve de maneira atípica no cérebro de uma pessoa. Ele é conhecido pelo seu nome popular: O transtorno do espectro autista (TEA). 

O TEA tem características diversas, porém existem comportamentos que a maioria dos autistas podem ter, como: 

  • Sensibilidade à luz e ao som. 

  • Hiperfoco em objetos, cores, personagens, pessoas ou animais. 

  • Dificuldade na interação social. 

Como adaptar uma loja para melhor atender pessoas autistas

Depois de descobrir o que é autismo, você verá quais as melhores formas de se adaptar para fornecer um bom atendimento.  

Treinamentos para a equipe

Treinamentos para a equipe atender pessoas autistas são essenciais para garantir um ambiente acolhedor e inclusivo. 

Esses treinamentos ajudam os funcionários a entenderem melhor as necessidades e preferências das pessoas e também a desenvolverem habilidades para interagir de maneira positiva e eficaz.

Os funcionários aprendem estratégias práticas para apoiar e atender às necessidades individuais das pessoas autistas, como oferecer comunicação clara e direta, respeitar as preferências sensoriais e criar um ambiente tranquilo e previsível.

Comunicação clara e direta

Comunicação clara e direta é uma parte fundamental para equipe atender pessoas autistas. Isso envolve utilizar linguagem simples e direta, evitar linguagem figurativa, e garantir que as informações sejam transmitidas de forma precisa. 

Ao adotar uma comunicação clara e direta, os funcionários facilitam a compreensão e a interação das pessoas autistas, reduzindo possíveis frustrações.

Caso alguma pessoa tenha dúvida sobre os produtos, é preciso falar sobre as características como a textura, o formato, o peso e o valor. 

Respeitando as sensibilidades sensoriais

Respeitar as sensibilidades sensoriais é outro aspecto crucial no atendimento. Isso envolve reconhecer que algumas pessoas autistas podem ter sensibilidades sensoriais aumentadas ou diminuídas em relação aos estímulos do ambiente, como luzes, sons, texturas e odores.

Por isso, instrua a sua equipe a ajustar a iluminação, a reduzir ruídos desnecessários, fornecer opções de texturas confortáveis ​​e a minimizar odores fortes.

Empatia e paciência

Empatia e paciência são valores fundamentais no atendimento. A empatia permite que os funcionários compreendam as experiências e desafios únicos enfrentados por pessoas autistas, cultivando um ambiente de compreensão e apoio.

Além disso, a paciência desempenha um papel fundamental ao lidar com pessoas autistas, especialmente em situações que podem ser desafiadoras ou que exigem mais tempo para comunicação e compreensão.

O que diz a lei sobre atendimento prioritário para pessoas autistas

Com a aprovação da Lei nº 14.626, legalizada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, mais grupos têm direito a atendimento prioritário no Brasil. 

Isso inclui pessoas com transtorno do espectro autista, com mobilidade reduzida e doadores de sangue. Com essa nova lei, esses grupos serão atendidos primeiro em lugares como aeroportos, bancos, cinemas, hospitais e outros serviços públicos.

Aprovada em junho de 2023 pelo Congresso Nacional, a lei estabelece que o atendimento prioritário pode ser feito através de postos, caixas, guichês, linhas ou atendentes específicos para esse fim. 

Se o serviço não possuir guichês próprios para esses grupos prioritários, a lei exige que eles sejam atendidos imediatamente após a conclusão do atendimento em andamento, antes de qualquer outra pessoa.

Abrindo vagas para pessoas no espectro autista

A inclusão é um processo contínuo, e as empresas que oferecem oportunidades para pessoas no espectro autistas podem colher grandes benefícios, tanto em termos de responsabilidade social quanto financeiros.

O principal benefício é dar a essas pessoas a chance de se sentirem valorizadas, úteis e participantes ativos da sociedade através de empregos remunerados. Isso desperta as emoções de gratidão e pertencimento. 

Além disso, a inclusão dessas pessoas no mercado de trabalho pode trazer benefícios para as empresas, como maior diversidade e criatividade, melhorias na produtividade e rotatividade das demandas.

Como construir um programa de treinamento sensível ao autismo

Como todo cargo existem treinamentos para os colaboradores. Esses programas de treinamento, falam sobre o que é o cargo, o dia a dia do funcionário e suas funções. Porém, quando se trata de pessoas autistas precisa mudar a abordagem e adaptar o treinamento para que seja acessível. 

O primeiro passo é ter uma comunicação clara e objetiva, passe as informações de forma direta e sem muitos rodeios. 

Enfatize que terá pessoas para ajudar e apoiar durante o trabalho, seja para montar a rotina com o colaborador ou realizar alguma demanda. Reconheça que cada pessoa é única e pode precisar de diferentes formas de apoio.  

Adaptações no ambiente de trabalho

Agora que você já sabe como criar um programa de treinamento e a importância de incluir pessoas autistas no mercado de trabalho. Está na hora de saber como fazer as adaptações no ambiente de trabalho. 

Parcerias com organizações locais

Muitas organizações locais que lidam com autismo podem oferecer consultoria especializada para ajudar a identificar as melhores práticas e adaptações específicas que podem ser implementadas no ambiente de trabalho. 

Eles podem realizar avaliações detalhadas do local de trabalho e fornecer recomendações personalizadas com base nas necessidades individuais das pessoas autistas.

Muitas organizações têm recursos e materiais disponíveis para ajudar na implementação de adaptações no ambiente de trabalho. Isso pode incluir guias práticos, listas de verificação de adaptações e modelos de políticas e procedimentos.

Além disso, elas geralmente têm uma rede de apoio com profissionais na área de saúde mental, como psicólogos ou até mesmo psicopedagogos. 

Promovendo uma cultura inclusiva

Promover uma cultura inclusiva é essencial para criar um ambiente de trabalho acolhedor para pessoas autistas.  

Promova a educação e conscientização sobre o autismo entre os funcionários. Realize sessões de treinamento e sobre o autismo, suas características e como apoiar colegas autistas no ambiente de trabalho.

Coloque a cultura de comunicação aberta e transparente, onde os funcionários se sintam à vontade para compartilhar suas experiências, necessidades e preocupações. Incentive a escuta ativa e o respeito pelas diferentes perspectivas e experiências dos colegas.

Ao promover uma cultura inclusiva, as empresas podem criar um ambiente de trabalho mais acolhedor, harmonioso e produtivo para todos os funcionários, incluindo aqueles no espectro autista. 

Conclusão 

Chegamos ao fim de mais um texto do nosso blog, hoje aprendemos a importância de ter um comércio inclusivo, seja no atendimento ou na contratação de uma pessoa que está inserida no espectro autismo. 

Porque promover e debater sobre essas causas ajuda a tornar o mundo um lugar mais justo e acolhedor. 

Espero que tenha gostado desse tema e se tiver alguma dúvida pode deixar nos comentários ou reler quantas vezes achar necessário. 

Te vejo nos próximos conteúdos, até logo!